domingo, 19 de agosto de 2007

Texto da Promocao Lado Z da Gravadora MZA.

Nestes tempos de madureza esta fase de minha vida pode ser definida assim: antes e depois do lado Z surgir. Porque antes eu andava "triste, tristinha; mais sem graça que a top model magrela na passarela" (ZB). Buscava alguma coisa que eu não sabia bem o que era. Os versos de `Passagem das Horas` de Álvaro de Campos (heterônimo de F. Pessoa) elucidam um pouco esse sentimento:
"Ah, não estar parado nem a andar
não estar deitado nem de pé,
nem acordado nem a dormir
nem aqui nem noutro ponto qualquer.
Resolver a equação desta inquietação prolixa
saber onde estar para poder estar em toda parte
Saber onde deitar-me para estar passeando em todas as ruas..."

Os dias, para mim, eram exatamente assim: uma constante inquietação, como o conflito vivido pelo "eu" poético. Mas, naquele dezembro de 1997, surge meu lado Z, que eu ainda não sabia que seria tão intenso, tão verdadeiro. E despertou aguçado, sedento de novidades. Essa novidade respondia pelo nome de Zeca Baleiro, que se mostrou através de uma reportagem no Jornal da Tarde, no caderno ´Variedades`. Uma crítica bacana, que despertou minha curiosidade e me fez correr atrás do primeiro CD (Por onde andará Stephen Fry). Também chamou minha atenção a camiseta que Zeca vestia. A do Santos Futebol Clube, meu time do coração. Pronto. A química foi perteita. Uma voz linda; as letras belíssimas e ainda santista? O trabalho de Zeca realmente era (e é) muito bom. Bastou ouvi-lo para saber que minha vida não seria mais a mesma.

Cheguei perto do Zeca em maio de 1999. Foi um sonho. A partir dali nunca mais deixei de acompanhá-lo. Além das muitas apresentações a que assisti do Vô Imbolá - pelo menos oito vezes - fui ao lançamento do livro `Batom Vermelho`, de Lúcia Santos, sua irmã. Aconteceu no KVA ainda em 1999. Eu e minhas três amigas ficamos sem voz quando Zeca ofereceu-nos um licor feito por seu Tonico, seu pai, e sentou ao nosso lado por alguns minutos. Emoção, encantamento... isso explica a dedicação e carinho por ele e o motivo pelo qual o sigo, sempre que posso, em seus shows. Para citar alguns exemplos, assisti Líricas no Sesc Santos; fui a um show em Cunha - perto de Paraty - e, no começo deste ano, junto com mais duas amigas, fomos ao show na Ópera de Arame em Curitiba - isso sem contar as idas às apresentações que ele faz em São Paulo e na grande São Paulo - incluindo quase todos os "Baile do Baleiro" (fui todas as quintas-feiras no Sesc Pompéia).

Assim é o tamanho de meu encantamento pelo meu ídolo. O reencontro com as amigas, todas "baleiretes" tem sempre a mesma emoção. Sentar na primeira fila, então, não tem preço. Ele, invariavelmente, faz um gesto para mostrar que nos viu: ergue as sobrancelhas; arregala os olhos... e nos deixa todas emocionadas - é a recompensa de nossa dedicação. O bacana de tudo isso é que Zeca é de carne e osso. Posso chegar perto; falar com ele; trocar idéias. Por isso, para mim, ele se tornou o poeta-maior. Este meu lado Z me faz muito bem e torna meus dias mais felizes.

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